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Outubro Rosa e a Oncofertilidade


No Outubro Rosa, a equipe da Clínica Effetto apoia a Liga Feminina de Combate ao Câncer e divulga texto sobre o tema da Oncofertilidade:

Atualmente, entre pacientes diagnosticados com câncer ao redor do mundo, 3 a 10% tem menos de 40 anos. Felizmente, ocorreram avanços importantes nos tratamentos oncológicos nas últimas décadas, que impactaram em melhores taxas de sobrevida e cura. Com esses avanços, vem surgindo uma preocupação cada vez maior com a melhora a qualidade de vida dos pacientes após o tratamento. Como a fertilidade é parte importante na vida de muitas pessoas, o papel desempenhado pela oncofertilidade tem tido cada vez mais destaque. Em um estudo realizado com 153 pacientes oncológicos sem filhos, 76% gostariam de ter filhos no futuro (Schover et al, Cancer, 1999).

A preservação da fertilidade masculina é mais simples e geralmente consiste no congelamento do sêmen antes do tratamento oncológico. Já nas mulheres, a proposta vai depender da origem da doença e costuma ser mais complicada. A traquelectomia radical no câncer de colo, tratamento hormonal em câncer de endométrio e cirurgia conservadora em câncer de ovário são exemplos de opções terapêuticas que podem preservar a fertilidade, mas que nem sempre vão poder ser oferecidos, pois dependendo do estagio da doença. Hoje em dia, a criopreservação de embriões, caso a paciente possua um parceiro, e a criopreservação de óvulos tem sido as ferramentas mais utilizadas para poder garantir uma chance de maternidade para essas pacientes no futuro.

Em um estudo realizado no Brasil no mês do outubro rosa em 2013, foram entrevistadas 242 pessoas não oncológicas em uma praça de São Paulo (Chehin et al, JBRA Assist Reprod, 2017). Dessas, apenas 34% estavam cientes que boa parte dos tratamentos para câncer de mama levam a infertilidade e 22% sabiam que havia opções de preservação da fertilidade. Outro estudo americano publicado em 2009, mostrou que apenas 47% dos oncologistas encaminham seus pacientes oncológicos em idade reprodutiva para um especialista em fertilidade (Quinn et al, J Clin Oncol, 2009).

O papel dos especialistas em câncer na preservação da fertilidade é fundamental. Os aspectos a serem considerados na escolha do tratamento são o risco de esterilidade, o prognóstico do paciente, os potenciais riscos de retardar o tratamento (este uma preocupação cada vez menor, tendo em vista os protocolos atuais que proporcionam a coleta de óvulos em menos de 15 dias), o impacto de uma futura gestação no risco de recidiva tumoral e o risco de expor a paciente aos hormônios necessários para coleta de óvulos. O encaminhamento e trabalho multidisciplinar com o especialista em reprodução humana é importante na decisão conjunta com o paciente.

Enfim, consideramos que a escolha do paciente sobre preservar a fertilidade ou não, talvez não seja tão importante como o seu conhecimento de que essa opção existe. Isto porque após a realização do tratamento oncológico, a frustração causada pela infertilidade e o não conhecimento de que ela poderia ter sido evitada pode trazer importantes sequelas psicológicas.

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